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Ingmar Bergman

Ernst Ingmar Bergman, Uppsala, 14 de julho de 1918 — Fårö, 30 de julho de 2007

amor, vida e morte

Mesmo se fosse possível dividir em diversas camadas o que acreditamos conhecer por existência, seria difícil discordar que o garotinho sueco, filho de um severo pastor Luterano, conseguiu de forma visceral trazer à tona a mais profunda delas, esta que, por muitas vezes, preferimos esconder de nós mesmos, seja por medo ou receio de enfrentar face a face a verdade.


Morte: Você nunca para de questionar?
Antonius Block: Não. Eu nunca paro.

"O Sétimo Selo" (Suécia, 1957)
Temas como amor, vida e morte sempre permearam suas obras, seja ora em âmbito terreno, onde a psique humana é totalmente responsável por nossos medos e angústias, seja na espiritualidade, terreno onde desde jovem, Bergman desbravou — assim como o cavaleiro medieval Antonius Block (interpretado por Max von Sydow), em sua obra prima O Sétimo Selo (1957) — em busca de respostas que nunca foram respondidas, deixando assim uma lacuna de incertezas, que o conduziu serenamente dia após dia, no mais profundo silêncio, até o encontro final com a morte, em 30 de julho de 2007, na sua preciosa ilha de Fårö, em meio ao Mar Báltico.

Adentrar neste apaixonante universo bergmaniano é um caminho sem volta. Sua extensa obra teatral e cinematográfica nos ajuda a entender o quão intensa e primorosa foi sua carreira. E assim como ela, Bergman também será eterno. - Daniel Santiago


"Espero nunca envelhecer ao ponto de me tornar religioso."


Ingmar Bergman (1918-2007)

Filmografia

O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Luz de Inverno, Persona, Gritos e sussurros...



Svensk Filmindustri

a lanterna mágica

Criado sob as rígidas regras de seu pai — o pastor Luterano Erik Bergman — o jovem Ingmar conheceu desde cedo o significado das palavras "punição" e "humilhação".

No entanto, em meio a uma infância conturbada, um presente de Natal mudaria o curso de sua vida para sempre. Ao ver que seu irmão havia ganhado justamente seu sonhado objeto de desejo, consumido pela inveja, Bergman logo se dispôs a trocar sua coleção completa de soldadinhos de chumbo pelo tal cinematógrafo, a lanterna mágica, que transformava imagens em movimento. Formava-se assim, a semente de uma carreira de mais de 300 trabalhos envolvendo cinema, teatro e televisão.

Enquanto estudava arte e literatura na Universidade de Estocolmo, Bergman começou a escrever diversos roteiros e óperas. E devido ao grande sucesso de suas montagens, em 1944, com apenas 26 anos — então nomeado diretor artístico do Teatro Municipal de Helsingborg, um dos mais importantes da Europa na época — podemos ver seu nome em destaque nos créditos de uma produção cinematográfica pela primeira vez, assinando o roteiro de Tormenta, longa dirigido por Alf Sjöberg.


O teatro é o começo, o fim, é tudo; enquanto o cinema pertence ao âmbito da prostituição."

Bergman, ao anunciar sua retirada dos palcos
Em 1946 é lançado Crise, seu primeiro trabalho como diretor e roteirista. O filme é adaptado da peça dinamarquesa Moderdryet, de Leck Fischer e produzido por Victor Sjöström, um dos maiores nomes da história do cinema sueco e que se tornaria seu principal professor e mentor, assim como o personagem Isak Borg, interpretado por ele no clássico Morangos Silvestres (1957).

Como uma espiral, o cinema de Bergman ao longo de sua extensa filmografia, nos apresenta temas e reflexões que se repetem em novos pontos de vista e em diversos personagens. O silêncio de Deus por vez dá lugar a crítica relação entre homem e mulher enquanto flerta com a solidão e a falta de esperança.

E por fim, Saraband (2003) — produção para a TV sueca estrelada por Erland Josephson e Liv Ullmann sobre o reencontro, na velhice, do mesmo casal de Cenas de um Casamento (1973) — se tornaria sua última obra audiovisual.

Descubra Fårö

Refúgio em meio ao Mar Báltico

a ilha de bergman

Foi buscando um local para as gravações de Através de um Espelho (1961) — longa que ganharia o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano seguinte — que Bergman teve seu primeiro contato com a remota ilha de Fårö, em 1960, local que escolheu viver por quase 40 anos, entre idas e vindas, até a sua morte.

Com pouco mais de 600 habitantes, sem bancos, correios ou delegacia de polícia, Fårö é uma das pequenas ilhas que formam o arquipélago sueco, ao norte de Gotland, no Mar Báltico. O solo árido, as formações rochosas únicas — criadas pela erosão durante a Era Glacial — os fortes ventos, inflexíveis, serviram de cenário para alguns dos principais filmes de seu mais ilustre e reservado morador, como Persona (1966), Vergonha (1968), A Paixão de Ana (1969) e Gritos e Sussurros (1972). Céu ou inferno, a ilha foi pano de fundo para diferentes questões presentes na vida do cineasta.


Se desejei ser solene, pode-se dizer que eu tinha encontrado a minha paisagem, a minha verdadeira casa; se alguém desejasse ser engraçado, pode-se falar de amor à primeira vista."

Bergman sobre Fårö, em sua autobiografia, Lanterna Mágica
Cada vez mais recluso ao fim da vida — como visto no documentário A ilha de Bergman (2006) da diretora Marie Nyreröd — Bergman passava dias sem conversar com ninguém ou mesmo atender ao telefone, mantendo diariamente a rotina de caminhar pela ilha, escrever e ver ao menos três horas de filmes em sua sala de cinema particular.

Seu corpo está enterrado em Fårö Kyrkogård, próximo à igreja local, ao lado de sua última esposa, Ingrid von Rosen (1930 — 1995). Sua lápide é a mais afastada do cemitério, de frente para o mar.


Fårö (Gotland, Suécia)
Área: 113,3 km²
Comprimento máximo: 18 km
Ver mapa

Semana Bergman

bergmancenter, fårö

tributo a ingmar bergman

Desde 2004, no auge do verão sueco, Fårö se transforma em um dos principais pontos de encontro para cinéfilos do mundo todo. Admiradores e apaixonados pelo diretor se reúnem anualmente durante a Semana Bergman para participar de eventos, palestras, rever suas obras e discutir o legado deixado por ele.

Apesar de frequentar e até mesmo escolher filmes a serem exibidos durante a semana em sua homenagem — como o clássico japonês Rashomon (1950), de Akira Kurosawa e Day and Night (2004), do dinamarquês Simon Staho — Bergman só permitiu que o evento existisse com a condição de que curiosos e turistas não o importunassem ou chegassem perto de sua residência.

A fundação Bergmancenter, atual realizadora da Semana Bergman, é responsável também por manter o Museu Bergman, onde promove açōes de difusão da vida e obra do diretor. No local há, além de sala de exibições, o tradicional Café Smultronstället e o Safari Bergman, passeio em que os visitantes podem conhecer de perto os locais da ilha que serviram de cenário para seus filmes.

Em 2014, a Bergmancenter foi nomeada "Tesouro Cultural do Cinema Europeu", título que é dado a locais que tenham valor histórico em prol do cinema e que devam ser preservados para as gerações futuras. Atualmente, a instituição é dirigida pela brasileira Helen Beltrame-Linné e atrai cada vez mais visitantes de diversos países.

Para consultar a programação completa da Semana Bergman e mais detalhes sobre o Museu, acesse www.bergmancenter.se



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